terça-feira, 31 de março de 2009

Bernardo: um final feliz para o princípio da vida


Os bombeiros voluntários de Pinhal Novo assistiram um parto difícil, em que o bebé nasceu com apresentação pélvica e dificuldade em respirar. Bernardo, assim se chama, salvou-se. A sua história foi contada na televisão. [Ver Vídeo] http://www.youtube.com/watch?v=_1PKQymbl3Q
Madrugada de quarta-feira, 3 de Março, em Pinhal Novo. Após alerta do INEM, às 03h57, dois bombeiros acorrem a uma residência, onde uma parturiente de 28 anos começara a dar à luz uma criança do sexo masculino, cujos pés se apresentavam em primeiro lugar. Quando chegaram, todo o corpo do bebé, excepto a cabeça, já se encontrava de fora, pelo que puderam verificar que tinha o cordão umbilical enrolado à volta do pescoço e, por isso, estava com dificuldade em oxigenar.Às 04h10, Bernardo estava cá fora. “Tentámos libertar o cordão umbilical e, com a ajuda da mãe, conseguimos fazer a expulsão da cabeça, após o que reanimámos a criança”, contou Luís Neto, um dos bombeiros, ao Jornal de Notícias. “O bebé estava em paragem ventilatória; tirámos as secreções da garganta e começou a respirar”, lembra António José Oliveira (Tozé), o outro bombeiro. Quando o VMER (viatura médica do INEM) chegou ao local, “já o bebé estava lavado e ao colo da mãe”, concluiu Neto.Ambos os elementos da corporação pinhalnovense realçam que os pais tinham conhecimento de que o parto iria ser complicado, mas foram surpreendidos pela rapidez com que o mesmo se precipitou, tendo, todavia, reagido com muita calma. Mãe e filho foram, depois, transportados para o Hospital de S. Bernardo, em Setúbal.Os dois bombeiros já tiveram de contar a história para as câmaras da televisão. “É uma sensação espectacular”, diz Tozé, sobre o sucesso obtido, mas, à TVI, garantiu que não se sente nenhum herói e que se limitou a realizar o seu trabalho. Luís Neto corroborou, afirmando que qualquer outro dos socorristas seus colegas, confrontado com aquela situação, poderia ter feito igual, ou melhor, do que eles. [Ver Vídeo] http://www.youtube.com/watch?v=_1PKQymbl3Q

«É uma menina muito bonita...»



Apesar de ser uma ocorrência comum nas corporações, ajudar a nascer continua a ser um momento especial na vida dos bombeiros. Esta tarde de São Martinho trouxe ao mundo uma menina, às mãos dos bombeiros de Pinhal Novo. O parto ocorreu numa residência da Lagoa da Palha, cerca das 14 horas.
Foi o 3º parto realizado por Vasco Marto, subchefe dos Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo, que contou com o apoio do bombeiro de 3ª classe Cristóvão Vinagreiro. O nascimento ocorreu em casa, e só depois de prestados os cuidados adequados à mãe e à bebé é que ambas foram transportadas ao hospital.Fruto da experiência e da formação profissional recebida – Vasco concluiu, em Setembro deste ano, o curso de Tripulante de Ambulância de Socorro (TAS), ministrado pelo INEM, e os dois operacionais possuem também formação de TAT (Tripulante de Ambulância de Transporte) –, os bombeiros encaram este tipo de ocorrência como «um fenómeno natural», quando se completam as semanas de gestação e o bebé se apresenta na posição normal. No fundo, a mãe é que tem o trabalho essencial. «Nós, técnicos, só auxiliamos e depois é que é preciso ter certos cuidados com o bebé e com a mãe», explica Vasco Marto, acrescentando que boa parte do papel do técnico de emergência passa por transmitir à parturiente a confiança necessária para que o final seja feliz.Esse capital de confiança que o técnico consegue incutir nos doentes, e nas pessoas que os rodeiam, afigura-se essencial. Esta manhã, o mesmo bombeiro acorreu a uma situação de uma menina de 4 anos, com uma crise convulsiva, e relata que o mais difícil foi «tentar acalmar os pais para que deixassem que fôssemos nós a pegar na criança, para os podermos ajudar».Percebe-se, entretanto, que um parto bem sucedido, no currículo de um bombeiro experiente, é sempre um momento especial, até porque não acontece todos os dias. E que deixa marcas:É uma sensação maravilhosa, não há palavras para descrever o espírito com que ficamos. É lógico que só acontece de tempos a tempos, por isso a sensação é especial. Quando as coisas correm lindamente é maravilhoso, mas o pior também já me aconteceu: não conseguir fazer nada para salvar a vida a duas crianças, ambas com 18 meses, e aí sentimo-nos muito mal mesmo, impotentes e com um sentimento de revolta.Mas temos de ser fortes para conseguir ultrapassar estes obstáculos. É para isso que somos bombeiros e temos amor ao que fazemos. E, depois, quando tudo corre bem, damo-nos conta de que fazemos falta e somos úteis em alguma coisa: é a nossa recompensa.


11-11-2005
Fonte: Helena Rodrigues (Texto), c/ testemunho de Vasco Marto e imagens captadas por Cristóvão Vinagreiro


Comentários (4)

Ricardo Ruivo, Barreiro : 27-01-2006
Parabéns grande amigo, fizeste vir ao mundo mais uma criança. Na minha opinião a mãe dessa criança estava em excelentes mãos. PARABÉNS mais uma vez e continua.Cumprimentos,Ruivo

joão Reis, setubal : 28-11-2005
Parabens vasco, que a experiência te torne cada dia que passa melhor tecnico.

Víctor Sierra, V.N.Gaia : 22-11-2005
Sim, maravilhosa notícia!Parabéns à parturiente, aos valorosos bombeiros, e longa vida à criancinha, com muitas bênçãos do Altíssimo.

Helena, Pinhal Novo : 12-11-2005
São 3 e meia da manhã. “Despachada” a família, em noite de aniversário, não podia ir dormir sem editar mais esta notícia. Não sei bem para quê... Vocês, sim, é que sabem bem o que é sentir-se útil e fazer falta. Mas confesso que poder partilhar esta notícia e estas imagens (com quem, afinal de contas? Eis a grande dúvida dos jornalistas!) foi a melhor prenda de anos que recebi. Parabéns, bombeiros!

O Silêncio Absoluto

História de Vida:

"O silêncio absoluto"

Venho falar-vos de um acontecimento que me marcou imenso, no percurso da minha vida.

Numa noite calma e serena, e a bater as 02h00 da madrugada, a campainha interna do corpo de bombeiros, onde passo a maior parte do meu tempo, soou duas vezes e foi anunciado nas colunas de som internas do quartel: "Acidente de viação com multi-vítimas encarceradas".

Àquele toque, as guarnições de bombeiros equipam-se e deslocam-se para as viaturas estipuladas para este tipo de emergência. Foi ao som das sirenes que nos deslocamos para o local anunciado.

Durante o percurso, no interior da viatura, fui delineando as tarefas a executar e distribuindo-as pelos vários operacionais. Ao aproximarmo-nos do local do acidente, deparei-me com um cenário de terror: um silêncio absoluto, o que, normalmente, não acontece... Ao efectuar um breve reconhecimento da situação, constatei que nas duas viaturas sinistradas não havia sobreviventes. Três jovens estavam numa viatura, completamente irreconhecível, e, na outra, uma jovem, com uma senhora no banco de trás, todos sem vida.

Mas não era tudo: também no banco traseiro, reparei numa cadeira de transporte de crianças e, de imediato, levantei o corpo da senhora e deparei com o de um bebé de 18 meses de vida, já sem vida.

A nós, bombeiros, só nos restava retirar os corpos das vítimas do interior das viaturas, o que viria a tornar-se bastante difícil devido ao estado em que os automóveis se encontravam.

Falei com a equipa e pusemos mãos ao trabalho definido.

As pessoas que circulavam naquela via, nos dois sentidos, não se aproximavam do local. Percebia-se, à distância, que a situação era bastante grave e dolorosa. Notava-se também na expressão dos bombeiros o ar de desalento e perturbação, houve bombeiros que não conseguiram reagir e que se afastaram do local de acção. Fiquei eu com outro colega, que também se encontrava bastante perturbado. Ele parecia um robot, é a descrição mais adequada que me ocorre.

Depois de duas horas de sofrimento, regressou-se ao quartel. O equipamento foi limpo e as viaturas arrumadas, num silêncio total.

Depois, verifiquei que era preciso falarmos do sucedido, que todos precisávamos de desabafar. E, reunindo todo o pessoal, conseguiu-se melhorar o estado psicológico de todos.

Agora, a esta distância de um acontecimento marcante na minha história de vida pessoal e profissional, verifico que me permitiu tirar conclusões positivas e negativas.

Das positivas, concluí que é necessário as equipas de socorro serem confrontadas com situações bastante críticas, para que se consiga perceber quem realmente avança ou recua.

Concluí também que consigo manter a calma, mesmo em situações de stress, e que isso transmite alguma segurança à equipa operacional. É certo que as memórias ficam gravadas, mas não noto perturbação devido às situações problemáticas por que já passei, como esta que aqui descrevi sucintamente e que me marcou profundamente.

De entre as conclusões negativas, verifiquei que não existe pior situação para os bombeiros do que sentirmo-nos impotentes, inúteis e sem margem de manobra para fazer aquilo para que estamos vocacionados: "ajudar o próximo".

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Setúbal, Pinhal Novo, Portugal