1. Assunto: Apresentação de Proposta de Formação
Exmos. Senhores,
Venho, por este meio, após o término da Formação Pedagógica Inicial de Formadores manifestar a V. Exas. o gosto em ter a oportunidade de iniciar a minha vida profissional como Formador, se possível, numa área de actividade no âmbito da minha formação Profissional.
Nesse sentido, junto envio o meu Curriculum Vitae actualizado para V. apreciação, ficando disponível para apresentar todos os elementos e esclarecimentos que V. Exas., considerem necessários numa possível entrevista.
Proposta Formação: Curso Técnicas de Socorrismo
1- INTRODUÇÃO E OBJECTIVOS
Apresento a minha Proposta de Formação, no âmbito do Curso de Formação para Formadores, que tem por Título Curso Técnicas de Socorrismo.
Esta tem por objectivo habilitar os formandos com conhecimentos, teóricos e práticos, que lhes permitam prestar a primeira assistência a sinistrados.
Actualmente observa-se, na nossa sociedade, uma prevalência comportamental em relação ao Socorro de vidas Humanas, mais especificamente em Locais de Trabalho, como a Indústria, em Instituições de Carácter Público, como uma Escola, em Espaços Públicos e/ou de Lazer, entre outros. Isto porque, em qualquer um destes locais verifica-se a existência constante de pessoas, e estas, pelos mais diversificados motivos, encontram-se susceptíveis de carecer de atendimento por doença, acidentes ou outros, que necessitem de uma intervenção rápida na área da saúde, mais especificamente na área do tratamento.
Muitas das vezes, o socorro deve ser prestado de uma forma precoce, como nos casos de paragem cardio-respiratória, doença súbita ou mesmo de quedas, e é nestes aspectos que surge a importância dos diversos agentes envolvidos no processo se encontrarem despertos, para que a activação do Sistema Integrado de Emergência Médica seja efectuada o mais breve possível, e para que as sequelas resultantes sejam as menores possíveis ou mesmo nulas.
Focando especial atenção, naquela que é a mais alarmante e mais preocupante situação em que um individuo se encontra, colocando a sua vida em risco, conduzindo muitas vezes à morte, sabe-se que à luz do conhecimento médico actual, há três atitudes que modificam o resultado no socorro à vítima de paragem cardio-respiratória (PCR):
1. Pedir ajuda, accionando de imediato o Sistema Integrado de Emergência Médica;
2. Iniciar de imediato manobras de Suporte Básico de Vida (SBV);
3. Aceder à desfibrilhação tão precocemente quanto possível mas apenas quando indicado.
Estes procedimentos decorrem de uma forma encadeada e constituem uma cadeia de atitudes em que cada elo articula o procedimento anterior com o seguinte. Surge assim o conceito de Cadeia de Sobrevivência composta por quatro elos ou acções em que o funcionamento adequado de cada elo e a articulação eficaz entre os vários elos é vital para que o resultado final seja uma vida salva.
Os quatro elos da cadeia de sobrevivência são:
1. Acesso precoce ao Sistema Integrado de Emergência Médica - 112
2. Início precoce de SBV
3. Desfibrilhação precoce
4. Suporte Avançado de Vida (SAV) precoce
1. ACESSO PRECOCE
O rápido acesso ao Sistema Integrado de Emergência Médica assegura o início da Cadeia de Sobrevivência. Cada minuto sem se chamar o socorro reduz a possibilidade de sobrevivência da vítima. Para o funcionamento adequado deste elo é fundamental que quem presencia uma determinada ocorrência, seja capaz de reconhecer a gravidade da situação e saiba activar o sistema, ligando adequadamente 112 (para poder informar o quê, onde, como e quem).
A incapacidade de adoptar estes procedimentos significa falta de conhecimentos. A consciência de que estes procedimentos podem salvar vidas humanas deve ser incorporada o mais cedo possível na vida de cada cidadão.
2. SBV (Suporte Básico de Vida) PRECOCE
Para que uma vítima em perigo de vida tenha maior hipótese de sobrevivência é fundamental que sejam iniciadas, de imediato e no local onde ocorreu a situação, manobras de SBV. Isto só se consegue se quem presencia a situação tiver a capacidade de iniciar o SBV.
O SBV permite ganhar tempo, mantendo alguma circulação e alguma ventilação até à chegada de socorro mais diferenciado para instituir os procedimentos de SAV (suporte avançado de vida)
3. DESFIBRILHAÇÃO PRECOCE
A maioria das PCR no adulto, ocorrem devido a uma perturbação do ritmo cardíaco a que se chama Fibrilhação Ventricular (FV). Esta perturbação do ritmo cardíaco caracteriza-se por uma actividade eléctrica caótica de todo o coração, em que não há contracção do músculo cardíaco e, como tal, não é bombeado sangue para o organismo. O único tratamento eficaz para esta arritmia, é a desfibrilhação que, consiste na aplicação de um choque eléctrico, externamente a nível do tórax da vítima, para que a passagem da corrente eléctrica pelo coração pare a actividade caótica que este apresenta. A desfibrilhação eficaz é determinante na sobrevivência de uma PCR.
Também este elo da cadeia deve ser o mais precoce possível. A probabilidade de conseguir tratar a FV com sucesso depende do tempo. A desfibrilhação logo no 1º minuto em que se instala a FV pode ter uma taxa de sucesso próxima dos 100%, mas ao fim de 8-10 minutos a probabilidade de sucesso é quase nula.
4. SAV PRECOCE
Este elo da cadeia é uma “mais-valia”. Nem sempre a desfibrilhação é eficaz, por si só, para recuperar a vítima. Outras vezes a desfibrilhação pode não ser sequer indicada. O SAV permite conseguir uma ventilação mais eficaz (através da entubação endotraqueal) e uma circulação também mais eficaz (através da administração de fármacos). Idealmente, o SAV deverá ser iniciado ainda na fase pré-hospitalar e continuado no hospital, permitindo a estabilização das vítimas recuperadas de PCR.
Integram também este elo os cuidados pós-reanimação, que têm o objectivo de preservar a função, particularmente do cérebro e coração.
A Cadeia de Sobrevivência representa, simbolicamente, o conjunto de procedimentos que permitem salvar vítimas de paragem cardio-respiratória. Para que o resultado final possa ser, efectivamente, uma vida salva, cada um dos elos da cadeia é vital e todos devem ter a mesma força. Todos os elos da cadeia são igualmente importantes: de nada serve ter o melhor SAV se quem presencia não sabe ligar 112.
2 - OBJECTIVO GERAL
Assim, tendo em conta o apresentado, mais uma vez reforçar que esta Proposta tem por objectivo, habilitar os formandos com conhecimentos, teóricos e práticos, que lhes permitam prestar a primeira assistência a sinistrados.
3 – DESTINATÁRIOS E NÚMERO DE FORMANDO POR ACÇÃO
A presente Formação é destinada a Funcionários de empresas e instituições, sendo estes incorporados numa turma de doze (12) formandos por acção (máximo).
4 - CARGA HORÁRIA E REGIME DE FALTAS
O Curso Técnicas de Socorrismo apresenta um total de formação de 35 horas, distribuídas em componente Teórica (científico-tecnológico) de 20 horas e, componente Prática (práticas simuladas) de 15 horas.
A totalidade das horas (35h) deve ser em regime presencial, sendo obrigatória a frequência de 90% da carga horária total.
5 - MÓDULOS DA FORMAÇÃO E RESPECTIVAS DURAÇÕES
Unidades de formação Respectivas sessões Duração
(Horas)
Organização de Socorro • Sistema Integrado de Emergência Médica
• Acidentes Multivitímas 3
Avaliação da Vitima • Técnicas de Comunicação
• Exame da Vitima 3
Reanimação • Oxigenoterapia
• Suporte Básico de Vida 3
Hipovolémia • Hemorragias
• Choque Hipovolémico 3
Traumatologia • Lesões da Pele – Feridas
• Lesões da Pele – Queimaduras
• Traumatismos das Extremidades – Fracturas
• Traumatismos Crânio-Encefálicos e da Coluna 6
Parto • Preparação Parto Súbito 2
Práticas • Condições de Segurança
• Avaliação da Vitima
• Manobras de Reanimação Cardio-Respiratória
• Desobstrução da Via-Aérea
• Posição Lateral de Segurança
• Imobilização do Membro Superior
• Imobilização do Membro Inferior
• Aplicação da Maca Scoop/Pluma
• Execução do Levantamento Tradicional
• Aplicação do Colete de Extracção
• Aplicação da Técnica de Extracção do Capacete 15
TOTAL = 35
Primeiros Socorros
De acordo com a tabela pode-se enunciar como Conteúdos Programáticos desta Formação, o Sistema Integrado de Emergência Médica, o exame da vítima, o Suporte Básico de Vida, as hemorragias, a hipovolémia, a dificuldade respiratória, a hiperglicemia e a Hipoglicemia, as intoxicações, as lesões dos tecidos moles, as queimaduras, os traumatismos crânio-encefálico e vertebro-medular, a Ortotraumatologia (fracturas), e os partos.
6 - MÉTODOS PEDAGÓGICOS
Como métodos pedagógicos objectiva-se o recurso ao Método expositivo, centrado na transmissão oral dos conteúdos, assim como, ao Método demonstrativo, centrado na explicação e demonstração de tarefas seguida da realização de exercícios práticos.
7 - LOCAIS DE REALIZAÇÃO
A Formação terá lugar nas instalações do cliente.
8 - DATA E HORÁRIO DE REALIZAÇÃO
A acordar com a empresa/instituição.
Se possível em regime pós-laboral entre as 19h00 e as 22h00, e Sábados das 09h00 às 16h00, com intervalo de 1 hora para refeição.
9 – AVALIAÇÃO DOS FORMANDOS
A Avaliação do presente Curso encontra-se dividida em dois momentos, o de Avaliação formativa, realizada ao longo da acção e em todas as situações de aprendizagem, e o de Avaliação sumativa, realizada no final da acção através da aplicação de uma prova de escolha múltipla.
10- AVALIAÇÃO DOS FORMADORES E DA FORMAÇÃO
A avaliação dos formadores e da formação será feita através de um questionário de avaliação.
11 – RESULTADOS ESPERADOS
No final deste curso espera-se que todos os formandos fiquem consciencializados para a importância do socorro precoce, encaminhando-os para a redução dos riscos profissionais, e com conhecimento para agirem de forma correcta e adequada perante uma emergência, onde estejam, no local de trabalho, em casa, em locais públicos, etc…, avaliando se as competências adquiridas, foram um maior contributo para a empresa ou instituição, ex. redução dos acidentes de trabalho, accionamento de meios eficaz consciencialização dos riscos laborais, etc…
A avaliação pós formação, depois de um período considerável 6 meses, efectua-se levantamento de estatísticas, sobre vitimas socorridas pelos “formandos” e considera-se os seguintes itens: situação ex. AVC, qualidade do socorro e prestação dos cuidados efectuados, qual o agravamento da situação ou não, após o AVC, se considera que o socorro eficaz aumentou a qualidade de vida e se caso não fosse socorrido de forma correcta como teria sido no futuro a recuperação ou se teria a mesma qualidade de vida que tem hoje. Nesta vertente a empresa ou instituição pode verificar se devido às competências adquiridas pelos seus colaboradores melhorou significativamente, ex. acidentes de trabalho, menos absentismo “ Baixas Médicas, Seguro” , etc…
12 – CERTIFICAÇÃO
Concluído o curso, com aproveitamento, é emitido o respectivo certificado e cartão de socorrista válido durante três anos.
13 - RECURSOS DIDÁCTICOS E LOGÍSTICOS
Para a realização do presente Curso, serão distribuídos, aos formandos, manuais de primeiros socorros.
A disponibilizar pelo cliente (nas acções ministradas nas instalações do cliente):
• Sala de formação equipada com computador, videoprojector, quadro, marcadores e apagador.
Manequins para prática e outros equipamentos técnicos serão da responsabilidade do Formador.
• COTAÇÃO:
Valor hora € 25 X 35h= €875 incluindo material Técnico
14 – CONSIDERAÇÕES FINAIS
Terminada a apresentação da Formação que se pretende realizar, é importante fazer uma consideração final, de tudo o que foi referido.
Sendo cada um de nós cidadãos e agentes da protecção civil, cabe-nos a nós investir na formação contínua, muitas das vezes proporcionada pelos locais de trabalho, na área do socorro a vítimas.
A necessidade de receber socorro de uma forma precoce e adequada pode surgir em qualquer lugar e em qualquer altura, e cabe a cada um de nós activar o Sistema Integrado de Emergência Médica, para que os diferentes elos possam entrar em acção e para que a qualidade de vida de muitas pessoas possa ser melhorada de uma forma significativa, assim como para que saibamos que foi feito tudo o que é possível, em tempo útil para que uma vida humana pudesse continuar.
É com este intuito que considero importante habilitar cidadãos para o préstimo de socorro de vidas humanas.
Este começa como referido pela activação do Sistema Integrado de Emergência Médica que através dos seus diferentes elos presta os cuidados necessários à vítima.
O cidadão que faz o primeiro alerta e que activa a cadeia deve ser portador de alguns conhecimentos, que primeiro o ajudem a identificar a situação e que o ajudem a prestar alguns cuidados básicos até á chegada de um apoio mais diferenciado.
É neste último parágrafo que toda esta Formação tem o seu suporte, é nele que podemos justificar a importância da realização deste tipo de Curso à população. Os conceitos que se pretende ministrar, sem dúvida, auxiliarão na prestação de um socorro melhor, até à ajuda mais diferenciada, e como popularmente se diz “pequenos gestos salvam vidas” e estes pequenos gestos certamente que poderão salvar. É com este pensamento que encontro motivação para que este Projecto tenha uma forma e um rumo.
Obrigado


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