A participação em acções de formação é uma componente fundamental da minha actividade de bombeiro e tem sido constante ao longo do meu percurso profissional.
Através da formação profissional, foi possível ir progredindo na hierarquia do Corpo de Bombeiros e ir adquirindo todas as competências necessárias ao desempenho das minhas funções, nas várias áreas do socorro às populações.
Hoje em dia, não basta ter boa vontade para socorrer alguém que se encontra em perigo e até o lema dos bombeiros voluntários – “vida por vida” – tem sido substituído pela ideia de “voluntários por opção, profissionais na acção”.
A formação inicial e a formação contínua são essenciais para que seja prestado às vítimas um socorro de nível profissional. Por isso, desde que fui admitido no Corpo de Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo, em 1995, completei dezenas de cursos e acções de formação, nas diversas áreas: Saúde, Salvamento e Desencarceramento, Combate a Incêndios e outras áreas especializadas do socorro.
De uma maneira geral, posso garantir que todas as formações que frequentei foram excepcionalmente benéficas para mim. A formação ajudou-me a alargar os meus horizontes e também a pensar de forma melhor, avaliar as situações e actuar com mais profissionalismo.
As mais recentes acções de formação em que participei foram de Condução Todo-o-Terreno (em Dezembro de 2007) e Salvamento em Grande Ângulo (de Novembro a Dezembro de 2007). São formações que já tinha frequentado, há alguns anos atrás, mas agora tive oportunidade de reciclar e aperfeiçoar conhecimentos, pois nunca é demais aprender para poder ajudar quem precisa.
Além disso, há situações com que nos deparamos menos vezes, no nosso dia-a-dia, e as acções de formação tornam-se essenciais para não esquecermos e para praticarmos as técnicas adequadas. É o que acontece, por exemplo, com o Salvamento em Grande Ângulo, que se aplica em locais de altitude e de difícil acesso (grutas, arribas, encostas, prédios); por isso, a parte prática desta formação foi parcialmente realizada na Serra da Arrábida.
Quanto à condução todo-o-terreno, é especialmente importante para que se possa conduzir em segurança quando se combatem os incêndios florestais, preservando as viaturas e a segurança da equipa. Como sou condutor de pesados, muitas vezes cabe-me transportar o veículo florestal de combate a incêndios e os auto-tanques e esta formação foi muito útil para reforçar a minha confiança e perícia como motorista. Como se sabe, muitos dos acidentes que, em Portugal, têm vitimado bombeiros no combate aos fogos são resultado de despistes a caminho das ocorrências, em consequência das elevações, declives e inclinações laterais próprias da condução fora de estrada.
Formandos da acção de Salvamento em Grande Ângulo
Arrábida, 2007
Na área da Saúde, comecei com o Curso Essencial de Socorrismo, em 1995, ministrado pela Cruz Vermelha Portuguesa, e depois frequentei mais três cursos básicos de saúde ministrados pela Escola Nacional de Bombeiros (o curso de TAT – Tripulante de Ambulância de Transporte). Esta formação proporcionou-me os conhecimentos e técnicas essenciais para fazer o exame da vítima, a remoção e imobilização de vítimas e realizar o chamado Suporte Básico de Vida, isto é, manobras de reanimação cardio-respiratória.
Esta foi a formação básica que me permitiu exercer a função de tripulante de ambulância até conseguir entrar para o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), onde completei, em Setembro de 2005, o curso de Técnico de Emergência Médica (TAS – Tripulante de Ambulância de Socorro). Para além de ter aprofundado imenso tudo o que diz respeito à prestação de cuidados de emergência e ao socorro de doentes urgentes, com esta formação também aprendi como lidar com pessoas de todas as faixas etárias e com culturas e hábitos diferentes. Esta capacidade de adaptação é importante porque, em situações de emergência médica, temos de estar aptos a relacionar-nos com todo o tipo de pessoas, de forma a salvar vidas.
Por exemplo, uma das situações mais delicadas com que nos deparamos é a das emergências obstétricas (parto de emergência). Para além de todos os protocolos de actuação, que foram bastante aprofundados no curso do INEM, é também essencial adoptarmos uma atitude profissional e ética que transmita a confiança necessária à parturiente, porque dela também depende o sucesso da nossa actuação.
A Ambulância de Socorro
mantida pelo INEM no Corpo
de Bombeiros de Pinhal Novo
Outra das áreas imprescindíveis da formação do bombeiro é a do Salvamento e Desencarceramento, em que aprendemos as técnicas de criação de espaço para a evacuação de vítimas em espaços confinados (a situação mais comum é a que resulta dos acidentes rodoviários mais graves, quando as vítimas ficam encarceradas no interior das viaturas).
Nesta área, efectuei quatro cursos, entre 1998 e 2006 (com intervalos de 2 a 3 anos entre cada acção), sempre aperfeiçoando as técnicas, para melhorar o desempenho.
No âmbito da formação de bombeiros e progressão na carreira, fui sempre aproveitando as oportunidades e, como fiquei sempre bem classificado, fui evoluindo até ao posto máximo na hierarquia do Corpo Activo: “Chefe”. No âmbito dos cursos de promoção aos postos de Subchefe e Chefe, realizei cursos de Combate a Incêndios Urbanos e Industriais, com formação prática ministrada na Refinaria de Sines. Realizei também, em Maio de 2005, na Companhia de Bombeiros Sapadores de Setúbal, o curso de Matérias Perigosas – Nível 2, que foi bastante duro e fisicamente exigente (mais recentemente, voltei a abordar esta matéria numa acção promovida no próprio quartel de Pinhal Novo).
Acção de formação sobre Matérias Perigosas
Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo, 2006
Em consequência de toda a formação obtida, sempre com o objectivo do aperfeiçoamento profissional, fui convidado para dar formação nas acções ministradas pela Federação de Bombeiros do Distrito de Setúbal, formando jovens de todo o distrito em áreas distintas, como Ordem Unida, Manobras de Escadas, Salvados, Hidráulica, Fogos Urbanos e Industriais, Ventilação e Táctica, Redes de Águas, Redes de Gás, Matérias Perigosas e Aparelhos Respiratórios Isolantes de Circuito Aberto (“A.R.I.C.A.)”.
Estas disciplinas são fundamentais para o percurso de bombeiro inicial.
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Penso que eu sempre soube reconhecer a importância da formação profissional e sempre me disponibilizei para realizar acções, aproveitando ao máximo todas as oportunidades de melhorar o meu desempenho.
Como sou interessado e exigente comigo próprio e com os outros, sempre me auto-formei e tenho a preocupação constante de transmitir correctamente os conhecimentos que adquiri, de forma a conseguir passar a mensagem. Neste sentido, e com o gosto pela minha formação, continuo sempre a tentar evoluir e contribuir para melhorar a qualidade do meu Corpo de Bombeiros, porque a minha acção insere-se sempre num trabalho de equipa.

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